Financiamento de campanhas eleitorais. Quanto vale um voto?
São poucas as pessoas que conhecem quem financia os políticos. A isso muito se deve ao dinheiro não contabilizado (vulgo caixa 2), mas também ao desconhecimento da dimensão da importância do dinheiro em uma campanha eleitoral. Leis restritivas aparecem a cada campanha, mas nada que tenha evitado que altas quantias de recursos financeiros continuassem a serem usados. O candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, levantou esta questão em seu horário eleitoral.
O site Às Claras, da ONG Transparência Brasil, mostra quanto cada candidato gastou e quem financiou, mostrando ainda quanto cada candidato gastou para conseguir um voto. Um candidato daqui, por exemplo, gastou em torno de 15 reais para cada voto que conseguiu. Isso mostra a importância do dinheiro em uma campanha. Portanto, se você quer ajudar seu candidato e tem compromissos no dia da eleição, dê dinheiro para ele, que pode ser tão bom ou melhor do que você precisar enfrentar uma fila para votar no sujeito.
Os financiadores de campanha conhecem esta lógica. E por isso, financiam os candidatos que atendem aos seus interesses. Quem tem dúvidas sobre de onde vem a força da bancada ruralista, por exemplo, procure os nomes de alguns deputados no site e vejam as empresas do agronégocio e produtores rurais que os financiaram.
Por uma questão cultural e financeira (muito em virtude do que nos é roubado através de impostos) e também pela descrença em nossos políticos, pessoas comuns não têm o hábito de doar dinheiro para as campanhas. Diferentemente dos Estados Unidos, onde os candidatos pedem doações e as exibem como sinal de força da campanha, como está fazendo, por exemplo, o candidato ao senado pelo estado do Kentucky, Rand Paul. Existem algumas iniciativas interessantes que acontecem de forma espontânea, não tendo nada a ver com os comitês de campanha (algo complicado de acontecer também no Brasil devido nossa legislação eleitoral). Um exemplo é que o pai de Rand, Ron Paul, que disputou as primárias republicanas em 2008 e teve a maior quantia de doações de pessoas físicas, fez uma das campanhas mais surpreendentes da história dos EUA. Uma das situações inusitadas, foi que simpatizantes montaram um dirigível que passou por algumas cidadas e recomendavam que as pessoas procurassem sobre ele no Google.
É preciso ficar atento a quem os candidatos “servem”, sabendo quem os financiam. Esta informação é mais valiosa até mesmo que os planos de governo de cada candidato. O site Às Claras e o site do TSE contém estas informações de eleições passadas. Mesmo assim, podem servir de parâmetro para escolha nessas eleições. Afinal, os financiadores não mudam muito de uma campanha para outra.
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