Serra: candidato da direita? (Parte 1) – A ausência de liberais no pleito e o posicionamento equivocado do PSDB
É comum setores alguns setores da mídia que, por falta de conhecimento ou mesmo má fé, validam acusações de adversários de que Serra seja um candidato da direita ou um “neoliberal”, adjetivo que nem mesmo a grande maioria da esquerda tem um consenso sobre o que significa.
Se usarmos o conceito mais recorrente hoje no mundo sobre o que é direita e esquerda, no qual a direita valoriza mais a liberdade econômica e a esquerda a igualdade, Serra definitivamente não é um candidato de direita. E isso não é uma opinião que eu compartilho com poucas pessoas. Brasilianistas sérios dizem isso. O próprio presidente Lula já comentou recentemente que no Brasil todos os candidatos são de esquerda e que isso é mostra o avanço de nossa democracia, embora eu discorde desta última constatação com veemência.
Dizer que Serra não é um candidato de direita também não é um elogio. Pelo contrário. Além de uma crítica em relação ao que ele poderia ser, ele erra no que diz respeito ao seu posicionamento perante o público e como o PSDB se apresenta para o debate político no país. E apesar de isso não causar tanto impacto nesta eleição, pode comprometer a identidade do PSDB nas próximas eleições. Afinal de contas, a diferença entre os dois partidos se mostra cada vez menor, e até por isso alguns eleitores tendem a deixar de votar no PSDB no futuro.
O marketing do PSDB
Uma das estratégias do marketing do PSDB é tentar colar a imagem de Serra a Lula. Estratégia errada. O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, tentou emplacar no início do ano o slogan “A esquerda somos nós”. Risível. Em muitos aspectos, Serra tem propostas que estão à esquerda das propostas da Dilma. Mas a maioria dos eleitores de esquerda não se importam com isso e mantém sua simpatia pelo PT.
Os marqueteiros tentam também dizer que o governo de Lula foi praticamente uma continuação do governo FHC, em virtude do fato de não ter havido mudanças radicais na política econômica. Isso não deixa de ser uma verdade, mas é inegável de dizer (e é bom que se diga que foi muito por questões conjunturais), que o governo Lula tem números melhores. Isso sem contar que o PT sempre se posicionou como um partido de esquerda de forma muito mais clara do que o PSDB. Então fica a pergunta: onde o PSDB quer chegar?
Por mais que o PSDB queira se mostrar como um partido de esquerda, mesmo confrontando com um governo de esquerda e tendo um símbolo de cor azul, o PT e seus partidos satélites já se consolidaram neste segmento de mercado (para usar um termo específico do marketing). Insistir em querer ser ou parecer de esquerda, só piora as coisas para o PSDB, que além de fazer com que uma fatia importante do eleitor brasileiro que se identifica com o liberalismo econômico e o conservadorismo civil se sinta “órfão”, contribui para algo gravíssimo que compromete a democracia no Brasil: o avanço de um pensamento único.
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