Serra: candidato da direita? (Parte 2) – O discurso do “neoliberal” gastador e o liberalismo verde.

Recentemente, o site Ordem Livre publicou uma pesquisa sobre qual seria a melhor forma de manter a austeridade fiscal de acordo com a população daquela país. O Brasil, país claramente estatista, foi o país onde as pessoas foram menos favoráveis a aumentos de impostos, preferindo o corte de serviços públicos. O resultado da pesquisa, embora não seja definitivo para mostrar uma alteração ideológica dos brasileiros, mostra que as pessoas vem percebendo que o Estado não é o melhor condutor da vida de cada um.

José Serra, que é chamado de candidato “neoliberal” pelos seus detratores, vem anunciando como suas principais propostas o aumento do salário mínimo e reajuste de 10% para aposentados e pensionistas.  Isso significa, obviamente, aumento de gastos e um consequente aumento de impostos e/ou do déficit público. Ou seja, Serra pode ser tudo, menos liberal, neoliberal ou coisa assim.

A propósito, não podemos dizer que no pleito tenha um candidato que defende austeridade fiscal e diminuição do Estado de forma intensa, bandeiras da direita ideológica, o que é bem diferente daquilo que se convencionou chamar de direita no Brasil, que são os fisiológicos e oportunistas que existem em qualquer partido.

Por incrível que pareça, a candidata que tem um discurso mais próximo disso, é Marina Silva. Enquanto em praticamente todos os países do mundo, os verdes se aliam com a esquerda, os verdes aqui no Brasil possuem um discurso mais liberal. E isso é fruto de uma conclusão pragmática das principais lideranças, que percebem que o tamanho do Estado brasileiro chegou a um nível “leviatânico”, termo esse que foi usado por Eduardo Giannetti, que coordena o programa econômico de Marina.

Pensando de uma forma pragmática, pois seria difícil Marina virar contra Serra em apenas uma semana de campanha a mais, o cenário melhor que se desenha é a possibilidade de segundo turno entre Serra e Dilma. Aécio já sinalizou que seria interessante em um segundo turno o PSDB incorporar propostas do PV. Diminuir o tamanho do Estado seria uma excelente, já que tudo que o Serra apresentou na campanha soa demagógico e nada muito diferente daquilo que a Dilma defende.

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